segunda-feira, 16 de abril de 2012

No Cruzamento das Paralelas


Acabou de sair no, Diário do Engenho, o meu "Esquinas Improváveis". É um texto surrealista que se localiza no cruzamento entre conto e crônica. Espero que gostem.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Cusco, O Umbigo do Mundo

Este céu promete e cumpre. Chove muito, no verão cusquenho.

Depois de percorrer, de ônibus, uma boa parte do desértico litoral peruano, tomamos um avião de Lima até Cusco, a 3.223 metros de altitude, na cordilheira dos Andes.

O nome original da cidade, em língua quéchua, é "Qosqo". Significa "umbigo do mundo". Pode parecer pretensioso, mas fazia sentido, pois a cidade era a opulenta capital do Império Inca, que dominava territórios e povos dos atuais Equador, sul da Colômbia, Peru, Bolívia, noroeste da Argentina e norte do Chile.

Quando os conquistadores espanhóis chegaram, o Império Inca estava em guerra civil. Dois grupos rivais lutavam pelo poder. Um apoiava o filho legítimo do Imperador inca Huayna Capac, outro apoiava seu filho bastardo. Nessa luta entre incas, Cusco foi destruída e incendiada. Foi assim que os espanhóis a encontraram, mas sobrava muito ouro saqueável em seus numerosos templos.

Através da força e de alianças com os povos locais, os espanhóis venceram os incas, apossaram-se de suas riquezas, destruíram seus templos e construíram igrejas católicas sobre seus alicerces.

Catedral de Cusco, construída sobre um antigo templo inca

 
Igreja da Companhia de Jesus, onde antes era o palácio
do Imperador Huayna Capac

Na minha opinião, o melhor das igrejas de Cusco está em seu interior, as obras de arte sacra, do período colonial. Pena que não nos deixam fotografar nem filmar.

Na Catedral, por exemplo, há um enorme quadro da Santa Ceia à moda peruana. Um dos alimentos à mesa é um cuy assado. O cuy é uma espécie de porquinho-da-índia, muito apreciado no país.

A Praça de Armas, no centro de Cusco, onde os
espanhóis aprisionaram o líder inca Atahualpa

Uma inconfundível parede inca, pedras perfeitamente assentadas

Bairro de San Blas, arte peruana e artesanato hippy

Niño Manuelito, versão cusquenha do menino Jesus

Antes que me perguntem, a resposta é "não". Não comemos cuy assado. Pobre bichinho! 

Também não compramos uma escultura do Niño Manuelito, embora haja muitas e lindas. Seus cabelos são humanos. Os meninos de Cusco esperam até os três anos de idade, para cortar o cabelo pela primeira vez. Doam as mechas para os artistas que fazem essas estatuetas.

Nosso dinheiro extra foi gasto em museus e livros. Somos turistas atípicos.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Garanto que Presta

Um bom filme, vítima da crítica

Minha coluna deste mês, no Digestivo Cultural, tem um título meio estranho: "Não Presta, Mas Vá Ver". Fala sobre a crítica de cinema e sobre o quanto os leitores devem acreditar nas avaliações que encontram em jornais, revistas e na internet. Podem ler, garanto que presta. :)

terça-feira, 27 de março de 2012

Tricoloiras

Nossa mais nova tricoloira, a Srta. Chiquita Banana

Hoje resolvi apresentar parte da minha família pra vocês, a parte felina. Temos meia dúzia de gatas no quintal, a maioria, tricoloiras. No alto da página, está a Chiquita, uma vira-lata de três cores, faminta e com o rabo quebrado em três partes, que encontramos abandonada. Na foto, ela até parece grande, mas, na época, media uns 15 cm.

Esta é a Sol, tricoloira que não gosta de gatos

Todas as nossas "meninas do quintal" são vira-latas abandonadas.

Esta é a Túfli, tricoloira, vítima preferida da Sol

Algumas gatas estão muito idosas e preferem não posar para fotos. Então vou finalizar com um momento "amoroso" entre as meninas.

Sol ataca; Túfli se esquiva. Quanto amor!

De vez em quando acontece uma briguinha no quintal. Só por diversão. :)

Gatos de três cores costumam ser fêmeas. Diz a lenda que ter um deles traz sorte. Eu não posso reclamar, depois que adotei a primeira, tive a sorte de adotar mais três. Por enquanto, tá bom.

terça-feira, 20 de março de 2012

Na Cabeça


Ai, cada coisa que me passa pela cabeça! Saiu, no Diário do Engenho, minha crônica estapafúrdia sobre "Canções-Carrapicho e Angústias Fashion". Espero que gostem.

As postagens peruanas ainda não terminaram. Aguardem!

terça-feira, 13 de março de 2012

Candelabro, Telhados e Luxo

Candelabro? Cacto? Tridente? Você decide.

A caminho das Islas Ballestas, as lanchas passam pelo geoglifo conhecido como "o candelabro". A figura gravada em baixo-relevo tem quase 200 metros de altura e mais de um metro de profundidade.

Sabe-se pouco sobre esse desenho. A única certeza é que ele não tem nenhuma relação com as linhas de Nasca.

Sobram teorias fantasiosas. Há quem veja o candelabro como um símbolo maçônico, por causa do triângulo que une seus braços. Outros acreditam que piratas fizeram o desenho para indicar o esconderijo de um tesouro em uma das ilhas. Essa ideia se apoia no fato de que somente quem está no mar pode ver bem a figura.

Nem quanto a qual objeto o geoglifo representa há consenso. Onde uns veem um candelabro, outros enxergam um tridente ou um cacto. Não há dúvida, porém, de que a falta de chuva é a principal responsável pela conservação do desenho.

Rodoviária de Paracas e sua cobertura plana

No árido litoral peruano, é comum vermos casas com "telhados" que não passam de uma cobertura plana. Estrutura de bambu e parede de palha protegem do sol e pesam menos do que as desnecessárias telhas.

Telhado de aglomerado, com fiação elétrica aparente

Nosso ônibus, na simples e eficiente rodoviária de Paracas

Quem vê a rodoviária de Paracas nem imagina o luxo dos novos hotéis que estão surgindo na região.

Parte da piscina à beira mar do hotel La Hacienda Bahia Paracas

segunda-feira, 5 de março de 2012

Islas Ballestas

Ilhas a 250 km de Lima, Peru

Depois de Nasca, fomos a Paracas, onde visitamos as Islas Ballestas, três ilhas guaneiras que fazem parte da Reserva Nacional de Paracas.

Cenário deslumbrante, aroma de zonzear

O Peru é grande exportador de ouro, prata, cobre e guano. Sabe o que é guano?

De acordo com o dicionário Michaelis, "guano" é um substantivo masculino de origem quíchua.  "Adubo rico em nitrogênio e fosfato, que é um produto da decomposição dos excrementos e cadáveres de aves marinhas, acumulado em grandes quantidades nas ilhas e costas pobres de chuva do Peru, do Norte do Chile e da África."

Colete salva-vidas, por precaução; boné antititica, por bom-senso.

Não, eu não fui lá pra ver guano, embora tenha sentido seu "perfume". O objetivo era conhecer seus produtores: 18 espécies de aves e três espécies de mamíferos. A fauna das ilhas é riquíssima. Havia milhares de animais sobrevoando nossas cabeças, prontos para atingir-nos com preciosos dejetos.

Algumas espécies estão ameaçadas de extinção

As lanchas passam pertinho dos animais

Quem diria, pinguins no Peru?

As águas frias da corrente de Humboldt propiciam a presença de pinguins de Humboldt e leões-marinhos.

Consegue ver um leão-marinho bocejando, bem no meio da foto?

Dormiu de novo, sem ligar pras seis lanchas por perto

O mar faz tanto barulho quanto as lanchas. Ninguém se importa.

Berçário de leões-marinhos. Os mais claros são jovens.

Pelicanos tomando sol em bando

Gaivotas na rocha e voando em formação

Estrela-do-mar, sobre rocha com camada de mexilhões

Alimento não falta. Golfinhos encontram peixes à vontade. Aves podem escolher entre pescar ou comer os mexilhões que cobrem as partes rochosas próximas da água.

Somente quando as lanchas passam por baixo das rochas...

...os passageiros se livram do bombardeio aviário.

Quase todos os turistas do nosso barco foram atingidos pelas aves. Eu e o Leroy escapamos porque elas só miram em quem está sem chapéu. As ondas e o cheiro do guano fizeram de tudo pra nos marear. Quase conseguiram.