terça-feira, 10 de maio de 2011

Nhá Chica

Eu e a estátua de Nhá Chica, doada por Paulo Coelho

Hei, pessoal, já ouviram falar de Nhá Chica e seus milagres?

Confesso que, antes de chegar a Baependi - MG, na Semana Santa, nada sabia a respeito dessa senhora cujo processo de beatificação está em andamento no Vaticano.

Por favor, não confundam Nhá Chica com Chica da Silva, que, de santa, não teve nada.

Filha de escrava e senhor de escravos, Nhá Chica viveu seus 87 anos de pobreza e dedicação à Igreja durante o século XIX. Seus contemporâneos já a consideravam sábia e santa por seus conselhos e graças obtidas através de orações a Nossa Senhora da Conceição, a quem chamava de "Minha Sinhá".

O escritor Paulo Coelho atribui à proteção de Nhá Chica o fato de haver sobrevivido a um gravíssimo acidente de carro e, também, o sucesso de sua carreira como escritor. A estátua na foto acima foi um presente dele à igreja de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecida como igreja de Nhá Chica, em Baependi.

Gostei de conhecer Nhá Chica e só não lhe pedi uma forcinha pros meus escritos porque era sexta-feira, dia em que a santa preferia não atender.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Bombardeio

As pegadas do temor demoram a se apagar.

Bombardeio

Em ziguezague, descendo,
O acaso premeditado
Nos atingiu como um raio.

Num raio de tantas milhas,
Tantas águas, tantas ilhas,
Nós fomos alvo perfeito,
Eleito na mosca, em cheio.

E lá se foi como veio,
Num ziguezague constante,
O acaso premeditado.
Quase tudo como antes:
Ilhas, águas, tantas milhas
E um feroz temor aos céus.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Ver pra Crer

Foi por pouco! Quase fotografamos o disco-voador.

Oi, pessoal! Obrigada pelas visitas e comentários!

Voltei na segunda, conforme prometido, mas só consegui atualizar o blog hoje.

Desculpem a demora! Até minha mãe ligou perguntando da atualização e querendo saber se nós tínhamos sofrido abdução alienígena em São Thomé das Letras.

Sim, estivemos em São Thomé, terra de hippies, místicos e estudiosos de ufologia. A cidade estava no auge de sua maluquice, graças ao feriado.

Ouvimos muito rock das antigas e Ventania pelas ruas.

Tanta piração não deixa de ser curiosa, mas prefiro as paisagens e a arquitetura.



Como não fomos abduzidos, ficamos apenas algumas horas.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Links Pra Vocês


Oi, pessoal! Vou pra Minas no feriado.

Deixo pra vocês o link pro regulamento do Prêmio Escriba de Crônicas. Vocês escrevem muito bem. Participem!

Quem ficar com saudade dos meus textos pode visitar minha crônica "De Ostensílio a Tecnofóssil Vivo", no Diário do Engenho.

Beijos e até a volta!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ainda


Se a espera desaparece,
o desejo permanece
calado como acontece
ao muito que se quer tanto
e tanto que nenhum pranto
permite mostrar o quanto
sequer em forma de prece.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Receita Secreta

Conto especialmente confeitado para os fãs da Manu.

Receita Secreta

Bem no melhor momento do bombom, no momento mais “Huuum!”, quando o chocolate se mescla com o licor e a cereja, Manuela passou mal. Desmaiou na rua. Um bando de pivetes levou sua bolsa, seu celular, seus óculos escuros e seus pacotes de bombons recém-comprados na Receita Secreta. Um camelô chamou a ambulância, que levou a moça a um pronto-socorro, de onde ela saiu com um diagnóstico de indigestão ocasionada por compulsão alimentar e a recomendação de procurar uma terapia para tratar seus problemas com a comida.

Um reconfortante bolo de nozes com sorvete a esperava em casa. “Compulsão alimentar?”, pensou Manuela, derramando calda de caramelo sobre a nutritiva escultura. “Minha compulsão se chama Juliano. Desde que ele foi embora, não consigo me controlar.” Acomodou-se na cozinha e começou a comer às pressas, enquanto pensava no ex-colega de trabalho. “Dizem que ele foi posto na rua por minha culpa. De certa forma, foi mesmo. Mas eu pedi desculpa e ofereci ajuda pra encontrar outro emprego. Ele que não quis. Preferiu trabalhar com a mulher, abrir uma segunda loja de doces, mais uma Receita Secreta. Aquela mulher dele, com jeito de mosca morta! Só serve pra cozinhar, mas cozinha bem, tenho que admitir. Que bolo mais huuum!”

*           *           *

Enquanto nadavam na fonte da praça, os meninos de rua decidiam seus negócios:

— Descobriram quem é a dona da bolsa?

— É aquela dona esquisita, que vive rondando a doceria do seu Juliano.

— Isso eu já sei! Descobriram o nome dela?

— O Gilsinho descobriu. É Manuela Alguma Coisa. Tava nos documentos.

— E telefone? Descobriram o telefone?

— O Gilsinho achou na agenda.

— Então fala pro Gilsinho ligar pra ela e pedir resgate. Manda dizer que, se ela não pagar, a gente vai vender os documento e o celular.

— Sei não... A dona é amiga do seu Juliano...

— Amiga nada! Ela só entra na loja quando ele não tá.

*           *           *

Manuela pagou o resgate, recebeu seus pertences de volta e convidou o pequeno sequestrador para devorar um rocambole trufado na Receita Secreta.

— Vem, menino! Pode confiar em mim. Eu tenho um negócio pra te propor.

*           *           *

Impressionada com o tino comercial de seu comparsa mirim, Manuela voltou para casa, felicíssima, a despeito de uma dorzinha no estômago. “Acho que exagerei. Preciso mesmo dar um jeito nessa compulsão Juliana ou vou acabar engordando. Tá decidido! Vai ser na segunda-feira,” pensou, digitando o número de sua irmã no telefone. “A inútil da Bebel vai ter que me dar cobertura, nem que eu precise esfregar na cara dela todos os favores que ela me deve. Afinal, pra que servem as irmãs?”

*           *           *

Depois de conversar com Manuela, Bebel foi visitar Juliano. Estava se sentindo uma péssima irmã.

— A Manuela mandou você aqui pra comprar as receitas dos nossos doces? — perguntou Juliano.

— Não. Ela não me mandou aqui. Eu resolvi vir antes que ela faça uma bobagem. A Manu anda obcecada pelos doces. Ela acredita que a sua esposa esconde receitas de família, num computador.

— Sei, sei. No computador do primeiro andar — disse Juliano. — Foi uma história que nós inventamos pra imprensa, quando precisamos promover a loja. Como funcionou, instruímos as atendentes a repeti-la pros clientes. É puro marketing.

— Eu fiz ideia. Acontece que a Manu acredita e quer minha van emprestada pra... pra... Olha, eu vou contar de uma vez. A Manu me ligou hoje. Ela quer roubar as receitas. Pare de rir! É sério. Ela quer subir na van pra alcançar o primeiro andar e... Pare de rir! Você tem que me vender as receitas antes que a doida da minha irmã vá presa. Ela é maluquinha, mas é inofensiva. Não merece uma coisa dessas.

— Não merece, é? Por acaso a sua “irmãzinha inofensiva” contou pra você por culpa de quem eu perdi o emprego?

*           *           *

Na segunda-feira seguinte, Bebel ajudou Manuela a invadir a Receita Secreta, mas — em vez de esperar ao volante, como combinado — foi embora logo que a irmã, usando a van como escada, alcançou a varanda.

— Volta, Bebel! Que que foi?

Manuela andou ansiosa pela varanda, enquanto, de uma casa do outro lado da rua, Juliano, escondido com Gilsinho, gravava a cena.

Gravou as tentativas inúteis de abrir a porta e as janelas. Gravou a olhadinha desesperada para baixo e o balançar negativo da cabeça diante da altura. Gravou os tapas na grade. Só não conseguiu gravar o pensamento de Manuela: “Que droga! Os pivetes garantiram que iam deixar uma janela entreaberta.”

Manuela tirou uma caixa de bombons da bolsa. “Melhor que a encomenda!” pensou Juliano, dando um close na caixa. A marca “Receita Secreta” aparecia bem. Três bombons depois, Manuela pulou da varanda, caiu de mal jeito e foi embora mancando.

O vídeo com “a ladra da doceria” fez sucesso na rede. A loja vendeu como nunca. Manuela se curou da “compulsão Juliana” e nunca mais falou com a irmã.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Arbóreo

Ipê amarelo, árvore símbolo do Brasil, com beija-flor visitante

Arbóreo

Da terra brotam meus versos
e várias vezes bifurcam
seus sentidos rumo ao céu.

Palavra, primeiro árvore,
ramagem por onde o vento
ecoa cantos diversos
que sabe de outros lugares.

Floradas chamando pássaros
e os doces frutos das chamas
que o sol espalha no ar.

Sementes, vida latente,
e as águas que me concernem
fazem brotar novos versos,
crescendo conforme caem
nas boas graças do solo.

No cerne, sempre ser árvore,
poema de vastos ramos
ou pequenino bonsai,
haicai de poucas palavras.